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Problema: cultura de urgência e engenharia frágil, que vira retrabalho

Demandas viram retrabalho porque uma correção em um ponto costuma causar impacto em outros, e hoje a gente não tem barreiras confiáveis para detectar isso antes de publicar.

A gente está preso em um ciclo onde quase tudo vira urgente, a entrega sai na correria, e o problema aparece depois em outro lugar, exigindo mais correção e mais tempo perdido.

Este problema tem algumas peças que se reforçam. Quando elas se juntam, o resultado é previsível.

1) Urgência vira padrão, não exceção

Quando quase tudo chega como urgente, a decisão deixa de ser "como vamos fazer direito" e vira "como fazemos agora".

Isso pode até funcionar uma vez ou outra, mas no longo prazo o custo explode. A pressa não some. Ela vira retrabalho.

2) O sistema é muito interligado

O legado cresceu sem separar bem responsabilidades. Na prática, fluxos diferentes acabam compartilhando regras e rotinas, ou então repetem a mesma regra em lugares diferentes.

Então uma alteração feita para resolver um caso específico encosta em outro fluxo sem intenção.

3) Sem testes, a validação vira um palpite

Hoje a validação costuma ser manual, rápida e limitada ao que a pessoa lembra de testar.

Sem testes automatizados, a gente descobre impacto quando corretor e cliente já sentiram. Aí vira incidente, e o time larga o que estava fazendo para corrigir.

4) Sem documentação, a regra fica na cabeça de poucas pessoas

Sem documentação viva, dev novo precisa reconstruir contexto no susto. Cada demanda começa com investigação, e cada correção repete a mesma história.

5) Sem code review consistente, o risco passa despercebido

Code review não é burocracia. É o momento em que uma segunda pessoa faz as perguntas chatas que evitam problema.

Quando a urgência domina, esse filtro enfraquece. A chance de deixar passar um detalhe aumenta, e depois fica mais difícil achar a causa.

Como isso acontece hoje

O ciclo típico no legado costuma ser esse.

flowchart TD A[Demanda chega como urgente] --> B[Mudança rápida em rotina compartilhada] B --> C[Validação manual limitada] C --> D[Publicação] D --> E[Impacto colateral aparece em outro fluxo] E --> F[Investigação artesanal para achar a causa] F --> G[Correção urgente] G --> H[Nova publicação] H --> I[Backlog normal para de andar] I --> A

O ponto que mais desgasta não é só o erro existir.

É o custo invisível de troca de contexto, interrupção, investigação, correção e nova publicação.

E quanto mais consumidores diferentes a gente tem, maior o risco de uma mudança em um projeto quebrar outro sem ninguém perceber.

Exemplos reais que mostram o padrão

Os exemplos abaixo deixam bem visível o retrabalho por acoplamento, falta de visão do todo e falta de barreiras de qualidade.

  • Demanda original: TI-95

Objetivo: ao emitir a proposta de Aditivo de Alteração no SCGP, colocar um link abaixo do quadro de coberturas para o cliente consultar a descrição comercial.

  • O erro que apareceu depois: TI-1523

O link foi atualizado no SCGP. No portal, a geração do PDF usava um link fixo no código. Esse link ficou antigo, e o portal passou a gerar proposta sem o acesso às descrições de cobertura.

O que isso escancara

  • Existiam dois caminhos diferentes gerando a mesma proposta em PDF
  • Um deles tinha regra fixada no código, o outro não
  • A demanda foi feita olhando só para onde o solicitante opera, mas o impacto real atravessa canais
  • Sem teste automatizado comparando o PDF gerado em cada canal, o erro só apareceu depois
  • Sem uma revisão de código mais cuidadosa, ninguém fez a pergunta básica: onde mais esse PDF nasce

Resultado prático

  • retrabalho para corrigir
  • tempo perdido até achar a origem
  • gente parada investigando em vez de evoluir produto
  • cliente e corretor recebendo uma proposta pior do que antes

Exemplo 2. A tentativa de agilizar manutenção virou nova dor no Vidas

  • Demanda original: TI-22

Objetivo: quando enviar uma manutenção por importação, até X vidas processar em tempo real. Acima disso seguir para a fila do Vidas.

  • O que estourou depois: TI-164

O portal não fazia validação prévia das planilhas. Com o fluxo novo, dados ruins continuaram indo para o Vidas e viraram retrabalho operacional. A correção virou implementar validação no Vidas antes de importar.

O que isso escancara

  • O portal empurra validação para o próximo sistema
  • O Vidas vira a barreira final e também o lugar onde o erro aparece
  • Quando a mudança entra na correria, validação vira detalhe que fica para depois
  • Depois vira incidente, fila, e cobrança em cima do time

Resultado prático

  • uma demanda vira duas em vez de uma
  • suporte e operação gastam tempo corrigindo dados que poderiam ser barrados
  • a confiança no processo cai, porque o corretor envia e só descobre problema depois

Exemplo 3. A mesma regra quebrando em dois lugares, por duplicação de lógica

  • Demanda: TI-1408
    Contexto: ao importar planilha de relação de segurados, as situações ESTAGIÁRIO e PRESTADOR DE SERVIÇO não estavam salvando.

  • O problema reapareceu: TI-1581

O ajuste foi feito na importação do Portal do Cliente. Só que existe importação também pelo Vidas. A dor voltou e exigiu outra correção.

O que isso escancara

  • A mesma regra de negócio existe em mais de um lugar
  • Uma correção feita só em um ponto não resolve o fluxo como um todo
  • Isso é o tipo de coisa que um mapeamento simples evitaria: onde mais essa planilha entra
  • Isso também é o tipo de coisa que teste automatizado pegaria, porque o cenário é repetível

Resultado prático

  • uma demanda vira várias
  • cada uma cai com uma pessoa diferente
  • quatro desenvolvedores mexem na mesma funcionalidade espalhada
  • todo mundo perde tempo entendendo o processo do zero

Exemplo 4. Projeto com escopo mudando toda semana, trabalho vira descartável

Caso: dashboard de campanhas

Toda semana o escopo muda. O que foi feito perde valor e precisa ser refeito. Além disso, quase sempre chega como urgente, então a entrega é feita com a corda no pescoço.

O que isso escancara

  • sem escopo minimamente estabilizado, não existe planejamento real
  • a gente investe tempo construindo e depois joga fora
  • isso desorganiza o backlog inteiro, porque tudo concorre com urgência

Exemplo 5. Urgência que vira entrega em vão

Caso: descrição de coberturas para o superapp

Foi feito como urgente em agosto de 2025 porque o lançamento dependeria disso. Depois descobrimos que não foi usado e que o app nem lançou até hoje.

O aprendizado é direto

  • urgência sem validação vira desperdício
  • o desperdício rouba tempo das dores que estão acontecendo agora

O que piora o cenário no dia a dia

Interrupção constante

Além do backlog, existe a pressão diária de demanda chegando direto na sala.

Isso quebra foco. A gente fica trabalhando em várias coisas em paralelo, perde contexto e aumenta a chance de errar em detalhe pequeno.

No fim, o time vira um funil de urgência. Tudo entra. Nada tem espaço para ser feito com cuidado.

Falta de visão de projeto e de voz para TI

As demandas chegam para resolver um contexto específico, mas sem espaço para discutir impacto em outros fluxos.

Quando tudo é urgente, não existe o momento de parar e perguntar:

  • isso vai mexer em quais canais
  • onde essa regra também existe
  • qual é a definição de pronto
  • como a gente garante que não piorou o que já funciona

Um ponto positivo que precisa ser reconhecido

A gestão que a Michelle vem fazendo ajuda muito.

Ela tenta organizar fluxo, conversar com os outros setores e dar visibilidade do que cada um está fazendo. A daily também ajuda o time a se alinhar e se apoiar.

O problema é que isso está muito concentrado. Uma pessoa não consegue segurar a casa inteira sozinha.

Impactos no negócio

Tempo e retrabalho

Sem uma trilha consistente, cada erro vira investigação artesanal.

Isso consome tempo de desenvolvimento, suporte e operação.

Risco operacional

Quando não é claro qual canal gerou o comportamento, e por que, decisões acabam sendo tomadas por suposição.

Isso aumenta chance de correção errada, reincidência e desgaste com as áreas.

Risco de segurança

O legado já tem fragilidades conhecidas. Quando a cultura é correria, esses riscos ficam vivos por mais tempo, porque sempre tem outra urgência na frente.

Experiência do corretor e do cliente

  • cliente recebe uma proposta sem contexto e abre chamado para entender cobertura
  • corretor sente inconsistência entre portal, SCGP e outros canais
  • áreas internas gastam tempo explicando e corrigindo em vez de evoluir produto

Como esse problema se conecta com os outros problemas do legado

Esse tema é o pano de fundo de quase todos os outros problemas que a gente está mapeando.

flowchart LR A[Cultura de urgência e engenharia frágil] --> B[Deploy manual e risco de erro] A --> C[Falta de rastreabilidade e visibilidade] A --> D[Credenciais e segredos espalhados] A --> E[Gerenciamento de arquivos desorganizado] A --> F[Múltiplos consumidores com regras divergentes]

Em resumo, sem barreiras de qualidade, cada problema vira mais fácil de acontecer, mais difícil de detectar, e mais caro de corrigir.

O que a API Nova muda para reduzir isso e por quê

A API Nova não resolve cultura por mágica. Mas ela permite construir um jeito de trabalhar com proteção, com governança e com clareza.

Os pilares que quebram o ciclo são simples e precisam funcionar juntos: testes automatizados, code review e documentação.

E a arquitetura ajuda a tornar isso viável no dia a dia, porque reduz duplicação e deixa o caminho de mudança mais previsível.

1) Separação por consumidor, sem duplicar regra

Com BFFs por canal, cada consumidor pode ter seu formato de dados e suas telas, mas as regras de negócio ficam centralizadas.

Isso reduz o risco de existir uma regra em um canal e outra regra diferente em outro.

2) Contratos mais claros entre quem chama e quem responde

Quando o contrato é bem definido, fica mais fácil comparar comportamento entre canais e evitar divergência silenciosa.

3) Publicar com proteção, não no susto

Com entrega automatizada e testes desde o início, a gente para erro antes de chegar no corretor e no cliente.

4) Rastreabilidade para achar a causa sem virar caça ao tesouro

Quando dá para identificar de onde veio, o tempo de investigação cai. A correção fica mais direta.

5) Definição de pronto que inclui qualidade

Teste, code review e documentação deixam de ser opcional quando sobra tempo. Eles viram parte do trabalho.

flowchart LR A[Hoje] --> B[Urgência domina] B --> C[Mudança rápida] C --> D[Validação no braço] D --> E[Impacto depois] E --> F[Retrabalho] G[API Nova] --> H[Revisão e planejamento] H --> I[Testes automatizados] I --> J[Publicação com proteção] J --> K[Menos incidente] K --> L[Backlog anda]